Texto # 02

Há uns dias apareceu cá por casa um amigo de universidade que estava a passar pela zona e fomos tomar café - surgiu em boa altura que isto de trabalhar em casa pode arruinar mentalmente qualquer um. Decidi ir mostrar-lhe um café que tinha sido recentemente remodelado pelo Atelier onde colaboro. Trabalho de quatro "mentes". Fui na viagem de "ego" cheio pelo que tinha sido feito. Depois da primeira impressão pedi-lhe a opinião. A resposta foi curta, "esta arquitetura moderna parece-me toda igual, parece que não saí da minha terra, há um parecido por lá". Admito que fiquei sem grande resposta, já que fui completamente desarmado. A opinião dos não conhecedores/críticos de arquitetura realmente é a que conta - tal como Jacques Herzog disse nas conferências Swissport'09, é o povo que faz ou não um "objeto arquitetónico" ser um "ícone". Com isto onde pretendo chegar? Somente a esta conclusão, que à custa de um minimalismo exacerbado todas as sensações dos "espaços" são "roubadas" pela neutralidade do mesmo. O que quero dizer com isto? Que hoje em dia a grande maioria dos "objetos arquitetónicos" criados em Portugal basicamente parecem museus - todos brancos no seu interior para realçar as peças artísticas expostas - mas a Arquitetura não o deve ser, deve sim ser portadora de identidade, carácter, sensações, deve acima de tudo ser vida e tudo o que ela representa!

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