Há uns dias apareceu cá por casa um amigo de universidade que
estava a passar pela zona e fomos tomar café - surgiu em boa altura que isto de
trabalhar em casa pode arruinar mentalmente qualquer um. Decidi ir mostrar-lhe
um café que tinha sido recentemente remodelado pelo Atelier onde colaboro.
Trabalho de quatro "mentes". Fui na viagem de "ego" cheio
pelo que tinha sido feito. Depois da primeira impressão pedi-lhe a opinião. A
resposta foi curta, "esta arquitetura moderna parece-me toda igual, parece
que não saí da minha terra, há um parecido por lá". Admito que fiquei sem
grande resposta, já que fui completamente desarmado. A opinião dos não
conhecedores/críticos de arquitetura realmente é a que conta - tal como Jacques
Herzog disse nas conferências Swissport'09, é o povo que faz ou não um "objeto
arquitetónico" ser um "ícone". Com isto onde pretendo chegar?
Somente a esta conclusão, que à custa de um minimalismo exacerbado todas as
sensações dos "espaços" são "roubadas" pela neutralidade do
mesmo. O que quero dizer com isto? Que hoje em dia a grande maioria dos "objetos
arquitetónicos" criados em Portugal basicamente parecem museus - todos
brancos no seu interior para realçar as peças artísticas expostas - mas a Arquitetura
não o deve ser, deve sim ser portadora de identidade, carácter, sensações, deve
acima de tudo ser vida e tudo o que ela representa!
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