Texto # 01

Nos últimos tempos dou comigo a divagar – e também a discutir - acerca do caminho da Arquitetura dentro do contexto atual de globalização e tudo o que trouxe atrás. Com os meios de comunicação cada vez mais globalizados e tendenciosos, a Arquitetura – como sempre o foi, uma “Maria vai com todas”, não nos podemos esquecer da mão-de-obra escravizada, de judeus e outros povos que por exemplo, Albert Speer (arquiteto chefe de Adolf Hitler) “tão bem” utilizou. Graças a estes belos exemplos da história – digo isto com um tom cínico – que os arquitetos são considerados umas prostitutas! Tudo fazem para agradar ao cliente. Embora esteja a fugir um pouco ao que mais me preocupa, lá voltarei. Com isso levanto uma questão pertinente. Como é que a chamada Arquitetura de “marca”, “imagem”, “branding”, ou que lhe queiram chamar, pode ser Arquitetura, se hoje em dia o que se produz na mesma é somente o repetir de uma fórmula – neste caso mágica – as vezes que forem necessárias até essa IMAGEM DE MARCA estar criada e assim obter reconhecimento por parte da sociedade, essa mesma que muitas das vezes não tem qualquer grau de conhecimento para saber avaliar. Já que boa Arquitetura não é só a Arquitetura bonita, apelativa, excêntrica. Acima de tudo deve ser pessoal, dependendo de diversos fatores tais como, o cliente, o terreno, o programa, as vivências, mas acima de tudo ÚNICA. Ao existir esse “branding” e cito alguns nomes famosos como Zaha Hadid, Frank Gehry, MVRDV (estes holandeses um caso especial tendo em conta que a imagem de marca dos próprios é o “naïve” e nunca se pode sair dessa linha porque foi isso que os tornou famosos, então essa própria imagem de marca de Atelier, estrangula a criatividade, porque não se pode sair dos parâmetros delineados, já que ao mudar, jamais seriam associados à marca). Podemos analisar os trabalhos dos que citei ou de outros porque há muitos “arquitetos estrelas”, que no meio das artes são comparáveis aos craques do futebol. Tal como esse meio, que explora crianças de 5 anos no Paquistão para coser as bolas de futebol e os equipamentos, os arquitetos principalmente os “grandes”, exploram os próprios colegas, embora mais novos e inexperientes, não deixam de ser colegas de profissão. Esses muitas vezes estagiam sem remuneração só para poder colocar no curriculum vitae, que estagiaram no Atelier “X” ou “Y” porque dá nome. Dá “imagem” ao curriculum vitae. Poderão chamar-me idealista ou romântico – não no lado amoroso da questão obviamente – mas ao longo dos tempos - os últimos obviamente - a Arquitetura tem desiludido. Principalmente por falta de a ver progredir. Reparo que na Arquitetura mais "Erudita" não há algo que fuja ao Movimento Moderno – sim pode chamar-se Arquitetura Contemporânea ao que se faz atualmente, mas decididamente ainda não saímos do Movimento Moderno. E essa globalização em nada ajuda a sair da estagnação.

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